PALAVRAS
Estão aqui a bailar à
minha volta
como samambaias ao
vento nas sombras da parede.
As palavras!
Soltas, redondas,
profanas.
O dia fica parado.
O relógio marca hora da
noite
e a noite não vem.
As palavras!
Presa a elas desde que
acordei
e quando é assim
não adianta desejar
outra coisa.
Só me resta esperar que
elas me libertem.
Se eu não me entregar
totalmente
elas me soterram
e começo a doer.
Dói o corpo,
dói a alma,
doem os olhos,
doem as mãos.
Fico inteira a doer.
As palavras!
07/07/1986
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