T U D O  V O L T A

 

Tudo volta nos enlevos de um encontro amoroso

e não sei se presente ou passado.

 

Tudo espuma na aspereza do meu sono,

se futuro em paredes novas de alumínio,

espelho de um momento presente ou passado,

não importa, tudo volta nos repentes do meu cérebro

desperto ou dormindo, já não sei.

 

Tudo volta no betume do meu ser.

Beijos, abraços, contratos, contatos,

se é noite ou é dia, já não sei, tudo volta.

 

Tudo volta nas sombras amarelas projetadas

no chão do meu quarto. Quantos! Tantos quartos!

Tantas e quantas casas, ruas e cidades

confluem no meu presente passado, já não sei.

 

Tudo volta no futuro pretérito do amanhã.

Pessoas tantas e quantas mansas pessoas

visitaram (visitam?) as salas do meu viver,

já não sei, se todas passam (passaram?)

no futuro presente do desabrochar das minhas rosas.

 

Tudo volta serpenteando, enovelando, espiralando

as metáforas abertas nos limites das minhas mãos.

 

Se sonhos verdes ou perfumes brancos, comédias de antes

ou jogos de cama e mesa,

passado negado

ou futuro procurado, já não sei.

 

Tudo volta!

 

Tudo passa, tudo espaça, tudo se esquadra

numa folha de papel sulfite.

                          (14/07/1986)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lua Rouxinol

        1999 Adaptação para teatro do livro “Capitães da Areia” escrito por Jorge Amado (1912 -     ), Editora Record, 64 a edição, Rio de...