NAVEGANTE

 

A permanência do não dito

viola a palavra.

 

Um pesadelo atravessa meus lençóis,

calando as estrelas,

e todo o medo esquarteja

o amor – repouso da morte.

 

Escorrega meu abraço no não feito

e mais te quero!

 

Livros novos na cabeceira

prendem-me na via pedregosa do teu beijo.

Eu me perco.

 

Apelas irreverente feito ladrão de versos

teu sexo em desalinho

mas escapas pelas frestas da noite

à procura de antigos retornos.

 

Nas correntes marítimas do céu

transborda o futuro

e desejos perdem a pressa.

                                (1986)

                   

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