ACIDENTE

 

Índia exótica e lúgubre

soçobra frente aos olhos pasmos do

Ocidente. Acidente tecnológico, acrático, ácido.

Correm os coitados, carregam seus filhos nos braços. Fogem

das indústrias, das covas. Barris furados, sem covardes guerras

atômicas. Sirene muda no meio da noite ordenou adeus à vida.

As calçadas, as ruas, forradas de corpos sem dedos -

escudos em defesa das dores. Odiosa. Nos olhos, na boca, no estômago.

Na alma. Doe mais que a súbita compreensão do lote pequeno e apertado

que pobres infelizes ocupam no mundo. Em segundos mutilados e

assassinados, envoltos no gás invisível (será que pensaram em Deus?)

Tantos inocentes em agonia logo ali no país da Indira, de Gandhi, Ravi

e faquires. Loucura imensa poucos mortais a sabem....

Até que também sejam atingidos, de uma forma ou de outra. 

                                                                               (dezembro 1984)

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