Poderia não dizer.

Sim, poderia calar.

Apenas esperar.


Poderia simplesmente,

num arrebate do presente,

aparecer de repente

no meio dos teus papéis

e no calor do meu amar.

 

Afinal, ressentiria promessas

inconsequentes, de além cinzas,

dos ninhos das serpentes.

 

Nos varais da memória,

sim, poderia, qual miragem,

enrodilhar tua seriedade,

apaziguar minha sede.


Poderia sim, complicar

as conversas de poltronas,

enrasques dos casais

e, sem mais explicações,

acertar nos contrastes

do teu olhar.

                   (1986)

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