À espreita

 

Quero perder-me para sempre da memória

e conseguir o que me é de direito

na esquerda da minha história.

 

Historiar até cansar

as mentiras que ouvi,

e louvar no primeiro brilho ascendente das estrelas

a atemporalidade de uma música que chega, mansamente,

das entranhas amolecidas de um poeta que nasceu

das cinzas da sua história.

 

Farei de conta que nada fiz

para chegar aqui e nos cantos da sereia mergulhar

e ninar pequenas ondinas com minhas histórias de sonhar.

 

Espreito e trabalho tranquila no silêncio da noite.

A história se fará, solta livre, é uma brisa

que fecunda todas as histórias.

                                 (1986)

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