L I B E R D A D E

 

Não sou fiel a nada.

Nem a mim mesma.

Desconheço os caminhos

dos prazeres de cimento.

 

Quero a liberdade de ser louca,

não cumprir a palavra dada,

de escrever versos ao acaso

e esquecer dos aniversários,

de ficar alheia à turba

e me desconcentrar da realidade.

 

Liberdade para fazer as malas e viajar

e só voltar quando quiser.

De ficar a contemplar indefinidamente

as flores da minha janela.

 

Liberdade para sair do meu corpo

a qualquer hora, planar nas alturas,

visitar os mistérios e retornar nova

a todo instante que se fizer premente.

 

Conversar com meu espelho

e descobrir as faces das várias mortes.

Não acreditar, nem desacreditar, só experimentar.

 

Liberdade para ver se concretizarem as falas

dos fantoches na impressão imóvel do tempo

e num crescente de abstrações voltar à terra

vestida de crayon roubado das estrelas.

                                                (1986)

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