O  V E L H O

 

Velho deus encarnado,

belo homem a rir para mim,

de mim.

 

Acena lírios brancos,

traz espelho de sóis

nas mão crispadas de amor.

 

Velho a brincar em mim,

para mim.

 

Repouse as pálpebras

nos cravos do jardim

em mim.

 

O Velho acocorado

nas folhas

espalha sua voz

nos cantos dos homens

aconchegados em mim.

 

Em mim, velho, sussurre

tuas preces,

nestes ombros pesados

de horas arrostadas

em tempos perdidos

na escada dos templários.

 

Velho de mim

e de histórias arrastadas

nos vértices partidos em mim,

repouse.

 

                            (1985 ou 86 ?)

 

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