Teimo em fazer uma torre de verde capim

enquanto as maravilhas do acontecer não esperam os pensamentos.

 

Avenidas correm sempre para o mesmo estranho lugar

e passa passa o tempo no passatempo dos cruzeiros.

 

Na falta de lógica que agita o momento

os restos de um canto passeiam de guarda-chuva ao sol de novembro

e um unicórnio cava o chão das travessuras no olival das canções de cristal.

 

Tudo deve acontecer conforme o planejado nas bolas cristalinas

enquanto o verão aproxima-se com sua mania de sorvetes cremosos.

 

Rui na cama o barulho das calças passadas a ferro na segunda-feira

e cristalinamente recupera-se a noção de prazer e resguardo manso.

 

A porta bate e o vento estraçalha seu barulho na janela.

Assim volta na manhã um pedaço do canavial escondido nas camadas cruas.

 

Está na hora de abrir os recintos da madrugada na ciranda do carrossel.

 

Esta enxovalhada de palavras tortas de maçã águas de retrato

anuncia um corcel a batalhar nos campos terrestres de um tempo findo.

 

Além marcas douradas suspiram notícias de jornal com loucos recados.

 

Com a rapidez de um sinal teleguiado das profundezas escuras do lago

afina-se há quase uma hora a voz de uma criança que está a cantar.

Vem de um manancial eterno de cruzes sobrepostas até formarem cubos.

 

O que está acontecendo no quarto ao lado da minha matéria nua?

 

                                                                                    (1985 ou 86 ?)

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