O ESPELHO
Imoral escorregas cinzas nos
meus seios,
agarras meus anseios com
mãos sujas
e deslizas melodias pelas
minhas pernas.
No oco do meu ventre cospes
fogo
e insistente a natureza
refugia-se em mim.
Recordo-me de um espelho
muito distante
que vertia leite da imagem
do teu rosto
e agora, imoral, sem iguarias
jaz quebrado.
Imoral teu caminho cruza a
minha sala
e se apagam as luzes da
cidade,
para que calada ouça o silêncio.
( 1986)
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