POLI – AMOR

 

mas que enorme alienação!

Da mais valia, da inflação,

dos atravessadores e da repressão...

 

… se mais vale minha comoção

diante da inflacionada emoção

que atravessou meu bom amor.

 

Nem sequer ligo a televisão

para ver os el cids da vida

a anunciar a queda do cruzeiro.

 

Ligo as portas poéticas da ilusão,

para assistir a queda cilíndrica

da anunciação amoralista.

 

Parto no cruzeiro dos espectros,

enterrados nos túmulos do tempo

e sistemática desenterro O Capital.

 

Carls – angels – Jung ou Marx

confluem no meu saber cerebral,

enquanto jasmins murcham no meu coração.

 

Com papel carbono e perfex

seco as manchas de tinta no meu colchão,

derramadas no interlúdio da noite.

 

Involução da evolução doada por Darwin,

que Hegel aprisionou numa estrutura filosófica,

melam meu beijos resguardados de bocas.

 

Levanto minha ira contra o deus dos cristãos,

que mais entende de partidos políticos,

do que de um soluço triste e saudoso.

                                                (14/03/1986)

 


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