CAOS

 

Por puro cansaço

esqueci-me que dia é hoje,

não paguei as contas,

não lavei a louça,

as roupas mofaram,

o leite derramou.

 

Por estranho tédio,

não li os jornais,

a televisão pifou,

a filha chorou,

a flor murchou,

o gás acabou.

 

Por mero engano,

não escrevi os versos,

não fui trabalhar,

o relógio desandou,

o dinheiro acabou,

o disco quebrou.

 

Por falta de sorte,

perdi o bonde (não há mais bondes!)

desencontrei do amigo,

martelei o dedo,derrubei o rádio.

 

Por causa de tudo,

retirei meu roupão,

entrei na banheira,

apaguei as luzes,

fechei os olhos,

morri de rir!

 

                                  17/3/1985

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