MESA DE BAR
(Madrid,
fevereiro de 1979)
Estou numa
mesa de bar do outro lado do mundo.
Somos todos
anjos poderosos, iguais, reunidos.
Dois
argentinos, um holandês, um espanhol, um francês e dois brasileiros.
Todos
empenhados em saber saberes do mundo.
Todos
iguais!
Num canto
do planeta.
Artista,
engenheira, professores, estudantes, não importa,
Todos
intelectuais
Falando
pelos cotovelos,
Ultrapassando
as dificuldades de entendimento da língua.
Língua,
beijos iguais.
O que
importa é falar, falar, falar.
Falar da
miséria
Falar das
artes
Falar das
canções
Falar da
política
Falar da
soidão
Falar da
igualdade.
Todos
iguais!
Bascos!
(O basco de
olhos verdes, revolucionário, que lutou com os homens
armado com
garrafas de coca-cola....)
Sanguíneo,
valente, herói!
Falar por
falar,
aos goles
de vinho, neve caindo, casacos pendurados nas cadeiras.
Imaginem só
se houvesse um italiano,
famoso pela
parlação!
Parlemos
mui mui,
pero
palavras buenas e fuertes.
Oh! God! I can see the river,
le mer.
Eu posso
amar
em qualquer
parte do mundo!
(06/02/1985)
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