FIM
Ora, o lago não é assim tão
fundo,
o céu não está muito longe.
Eu sei que vou morrer
e nem me assusto.
É o fim do caminho.
Levo um lírio comigo
para não me esquecer
da vida na terra.
Minha filha ficará segura
nos braços do pai
e meu amor espalhado ao
vento
a gerar chuva e poesia.
Ora, a vida não foi tão má
assim!
Dela levo muita coragem
e enorme paixão
ainda semente.
A minha morte está viva
nas pontas dos meus dedos
e no auge da minha dor
deposita as asas do futuro
no buraco do passado.
Tudo acabou!
Ora, não foi tão triste,
esse milagre de estar morta
e viva
não é tão misterioso assim.
Nem sei se já estou
preparada,
para espreitar o grande
silêncio
com a tranquilidade de uma
mãe.
De qualquer maneira, o que
se nota
é que o trigo não para de
crescer
e a ausência ou presença
da luz
não faz a menor diferença
no complemento do dia e da
noite,
no ato do meu amor.
(07/11/1986)
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