FESTA

 

Hoje é um dia especial,

tem um cheiro de festa no ar

e a casa deve ser arrumada.

Os gnomos correm apressados

Sem saberem por quê.

 

Não importa!

Se não há razão para festejar,

se não há razão para cantar,

se não há razão para continuar,

há, sim, a ilusão do amor.

 

Portanto, tudo deve estar em ordem

para a chegada do grande ilusionista,

de fraque, cartola, varinha na mão,

frasqueira de prata e cravo no coração.

 

A festa cheira à despedida,

à champagne e aguardente,

à quimeras e aventuras.

Será longa e dolorida.

 

Triste como a morte de uma parturiente,

que deixou o filho ao relento,

foi se encontrar com o infinito

e perdeu a festa da madrugada.

 

A festa trará surpresas maiores

do que a vida e a morte dos amantes.

Trará seres totalmente diferenciados:

de todas as cores que se possa imaginar,

de todos os sabores que se possa provar,

de todos os vinhos que se possa beber,

de todos os cheiros que se possa cheirar,

de todas as texturas que se possa provar,

de todos os sons que se possa ouvir,

com todos os beijos que se possa suportar

 

e a tristeza será levada num altar,

para que todos se riam

do grande ilusionista:

o Amor!

                               (07/01/1986)

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