VOLTA

 

Olhem só o que me conta essa criança

loira e meiga, como um sol de primavera,

enquanto cata papéis de propaganda na rua

revela-me sem volteios e sem receios

a data e a hora da chegada do amor.

 

Sorrio e lhe beijo a face.

Digo-lhe que eu já sabia

que o amor me voltaria

sem rodeios e sem recheios

do passado que morreu.

 

Descerá com suas asas metálicas,

pousará, o amor, no reino dos humanos,

deixará atrás o outono oriental

e mergulhará sua nova face

no verão dos meus abraços.

 

Dezembro vingará a ausência,

as lutas e as tristezas do inverno

que engendrou ideias de união

pouco antes da partida,

antes do final do ciclo.

 

A vida continuará repleta de poesia,

completa de querença clara e simples,

cheia de amor para as crianças

e toda entregue aos sentidos de nós dois.

15/11/1986

 

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