Pai

 

Porque nunca senti tua presença

movi mares e planetas. Não te vi!

 

De tanto medo cresci poeta,

rabisquei versos nas paredes

e com Dante fui aos infernos!

 

Não estavas. Apesar de tudo morri.

 

Com as almas peregrinas imergi

nas lavas vulcânicas do desespero,

no silêncio das cavernas distantes,

nas florestas úmidas da solidão.

 

...e mesmo assim eras ausência...

Renasci. Explodiu a primavera.

 

Tuas mãos invisíveis não tocaram

os presentes que recebi dos deuses,

tampouco afagaram minha felicidade.

 

Não estavas. Amei todos os homens

e descobri memórias apagadas de ti

na fragilidade da composição do sexo.

 

Entre espadas e flores criei um filho

e porque morreste sem me avisar

pesco as pérolas do firmamento

e viajo até hoje em busca do infinito.

 

Há muito mais na escura noite

que estrelas perdidas e bruxas.

(1988?)

 

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