MONÓLOGO

 

Não morrerei agora Morte.

Não insista em me levar,

pois já não preciso de ti

e não vou mais te chamar.


Portanto, agora não morrerei.

 

Não, não me leve agora,

mudarei meu destino

e meu coração não explodirá,

minhas veias voltarão a funcionar.


 Meu rosto brilhará como nunca.

 

Não, não me leve já

porque tenho muito amor

e uma enorme estrela

a renascer no meu ventre.

 

Não! Não!

Não se apodere da matéria.


Este corpo é meu

e meu o comando.

Vá-se embora

às profundezas cinzentas.

 

Não! Agora não me levarás,

dentro do meu sol

há outro sol

que esquenta e derrete teu punhal.


minha pele respira

os perfumes e suores

das batalhas do mundo,

que é como é.

 

Aqui ficarei

entregue e entrelaçada

à outras vidas sementes

e um grito vibrará no espaço.


Não! Não me leve agora.

 11/05/1986


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