MIRAGENS


Deixo correr em estado líquido o absurdo,

Uma maneira de exercitar a forma

Do que não tem forma na noite contínua,

Que desaparece no dia e circula no gasoso.



Mudança de estado natural circunscreve

Uma circunferência na cabeça do anjo.

Nada a largas braçadas em rio

Desconhecido de águas límpidas.



Volteiam aparições de gás neon em meus olhos.

Formas indescritíveis perambulam e riem

Da surpresa. Liquidam com o senso do comum

No desenrolar dos meses de um ano a passar.



Uma estrela octogonal tremeluze na manhã

Como uma estrangeira a visitar o impossível

Encontro de dois sóis no espelho do céu

De uma boca que aparece no retorno da noite.



Como é bela! Redonda amarela semicoberta,

Sempre possível quando não há mais que o som

De uma orquestra e o barulho do teclado

Da máquina de escrever o surgimento da lua.



Revoada de cisnes brancos e negros complementam

O fechamento do círculo em torno ao amado rei

De dez cabeças e vinte braços que seguram o globo

Do amor preparado com os estigmas da rosa branca.



No semáforo das atenções desperta um oásis verde

No linotipo de uma sala situada nas primícias

De uma dor indesejada em sonhos.

Na quarta-feira vou à ginástica funcional do porvir.

25/07/1986

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