QUADRILÁTERA
Estive no Norte de mim.
Grinaldas vermelhas fugiram do vaso,
trouxeram-me um baú antigo pintado de púrpura.
Cheirei o alecrim perto do Rio Amarelo,
contive-me num espaço do sol
e se esparramaram búzios nos lençóis.
A sorte foi lançada: viver ou morrer a morte de mim!
No Sul as águas são mais claras,
os animais perpetuam-se em espécies
e girassóis dourados miram meus olhos.
Miríades de formas estabelecem arcos de luares.
Meus braços anseiam por liberdade.
Caracóis empregam-se nos buracos.
Minha mentalidade sulina ameaça escapar no Sul de
mim.
A Leste ouço canções remotas desencravadas das
rochas,
visito os templos proibidos às mulheres,
desrespeito todas as ordens metálicas
e invado as regiões recônditas a passos calmos.
Ultrapasso o silêncio.
Celestes são as marcas dos
córregos nativos.
Permito-me atirar a flecha ao alvo distante.
Acerto, a Leste, o concerto de Pan.
Renasço, faço aço dos meus traços, Oeste de mim!
Oeste! Chego como o trovão a estrondar os milagres.
No sempre retornam palavras marginais.
Tragante fumaça envolve meu corpo. Envolvo a fumaça.
Expiro tranquila a internação da luz.
Oeste! Oeste! Bravia desbravo-te com minhas mãos
qual manto emplumado a agitar retornos de partidas.
23/01/1986
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