Paisagem cósmica

 

São golfos aparecendo atrás das nuvens

e um condor aproxima-se rapidamente

da pergunta irrespondível de Charles, o músico.

 

Abre-se uma planície isenta de consumações

e o condor aterra perto da planta fluorescente

das respostas contidas em corpo cristalino.

 

As cores são de um ramo de flores do campo

trazidas pelos ecos das borboletas de veludo.

O condor dorme cansado da viagem pelo concreto.

 

A paisagem move-se e surge uma elipse

que carrega consigo os sonhos dentro dos sonhos

e o condor fica preso ao sarcófago do tempo.

 

A paisagem retorna ao sossego da ausência do invasor

e a terra traga para dentro de si o corpo do pássaro.

Tudo é igual a antes do surgimento do primeiro homem.

25/07/1986

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lua Rouxinol

        1999 Adaptação para teatro do livro “Capitães da Areia” escrito por Jorge Amado (1912 -     ), Editora Record, 64 a edição, Rio de...