Nubes
Na cidade,
baionetas
sussurram nas
paredes
onde antes era
porto
de ondas da
noite.
As grossas
correntes
acordam as
memórias
de ventres
partidos.
Por ruas
solitárias
marinheiros
feridos
desfolham
violetas
tatuadas nos
braços
e violências labiais
abrem negros
portais.
A morte
aferrada
aos corcéis do
medo
habita a cidade
que se estronda
e a pálida
rapariga
em trancas
esconde
o diário de
bordo.
A bombordo,
armas saqueadas
do sótão do
absurdo
compõem o navio
que a lua acusa
nas distantes
trevas.
As grades
sobrevivem,
parasitas, nas
placas
do inferno da
cristã
cidade e no
salitre
das eras
revelam
corsários
içando sereias
e açoitando
velas
nos rombos do
mar.
Espantosamente,
gritam
os ratos no
porão
e o passado que
se estende
invade os
caminhões.
Portões
fechados
martelam
denúncias
e não há mais
rimas
nas músicas
faladas.
foram-se os
rituais,
as fugas –
atalhos
para o sol, os
ventos.
A cidade se
encolhe
dos tiros da
guerra
e sobrevive
acamada
sob domínio pirata.
Na mutante
alegoria do tempo
concebe, a
mulher, seu menino
e atira nas
ruas os rugidos
dos canhões
curvados de dor.
A ausência de
vinho e pão
produz
prostitutas em série
e fantasmas se
acendem
nas vitrines da
miséria.
Desenrugam-se
as dobradiças
das janelas, e
surgem, doces,
as belas
donzelas de alfenim.
Bem
intencionados,
homens,
bebem estrelas.
Mas a cidade
não tem mais arcabuz,
ingênuo
artifício de uma época
sem romarias
planetárias,
longe das
atômicas patifarias,
ao largo dos costumes
computáveis.
Hoje, a cidade
fagulha imagens
tele avistadas
de crianças
plantadas no caos.
1999 - 2º lugar no Mapa Cultural Paulista.
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