Cantiga de Amigo

                                                                              (Para Arlindo)


Amo Arlindo como amo meu irmão.

Mas amo diferente. Amo como espelho índio,

como quem ama a solidão e as cavernas.

O aconchego da terra, o broto parido

e as estradas que não conheço.

 

Amo a sua coragem de rasgar bandeiras,

criar estórias dos retratos da cidade,

reciclar a peste e colher moinhos.

 

Amo seu intelecto, suas raivas, suas brumas.

 

Arlindo me exaspera nas suas viagens,

mas ele está certo. Ele é nobre. Ele é Rei.

 

Mostra o lado dos oprimidos,

dos que perderam suas terras,

conviveram com as dores da morte

e, das flores, traz memórias dos sonhos.

 

Arlindo me exaspera nas suas viagens,

mas ele está certo. Ele é nobre. Ele é Rei.

 

Desafios sem trégua, luas sem luz,

mares revoltos, turbas invasoras

e todos os olhos da cruz em mim,

Arlindo produz... e depois se vai.

 

Arlindo me exaspera nas suas viagens,

mas ele está certo. Ele é nobre. Ele é Rei.

                          Dez. 2000

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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