Nem todas são assim.

Algumas são setas de versos no estômago,

outras são restos de lembranças na memória.


Partes perdidas das conversas,

retratos batidos de repente.

Todas impelem para não sei onde,

 me consomem.

 

Nem todas são românticas,

sentidas, feitas de amor.

Concretas, bizarras, tênues, irônicas,

não são todas assim.

 

Algumas são feitas por mim,

outras se espalham sozinhas.

Recolho-me, entrego-me a elas

e fazem o que querem sem mim.

 

Algumas se espremem para fora.

Apertam, trucidam, massacram,

palavras pensadas

que desembocam em outras.

 

Estão todas aí. O tempo todo prontas.

 

Não são todas jogos do saber.

Opostos.

São de caminhos abertos. De leite,

Résteas de futuro.

 26/09/1987 

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