Nem todas são assim.
Algumas são setas de versos
no estômago,
outras são restos de
lembranças na memória.
Partes perdidas das conversas,
retratos batidos de repente.
Todas impelem para não sei
onde,
me consomem.
Nem todas são românticas,
sentidas, feitas de amor.
Concretas, bizarras, tênues,
irônicas,
não são todas assim.
Algumas são feitas por mim,
outras se espalham sozinhas.
Recolho-me, entrego-me a
elas
e fazem o que querem sem
mim.
Algumas se espremem para
fora.
Apertam, trucidam, massacram,
palavras pensadas
que desembocam em outras.
Estão todas aí. O tempo todo
prontas.
Não são todas jogos do
saber.
Opostos.
São de caminhos abertos. De
leite,
Résteas de futuro.
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