S A G R A Ç Ã O

 

Sagra-se a Primavera!

Esmeraldina cambiante

 

a ruir cetros

de algas infames

nos anzóis das verdades.

 

Esperas de alfazemas,

nas ruas sem saídas.

Correntezas.

 

Sem partes com o mal

do país da Alvorada,

penetras gigantes alcovas

de claudicantes algozes.

 

Sagra-se a Primavera!

 

No corpo de vidro

 de jovem infante

estardalhas brisas

nas redomas.

 

Sagra-se a Primavera!

 

Derramas dos teus olhos

pactos com guerreiros.


És virgem amante

e me transporto da escada

para o chão destes versos.

 

Roubo meteórico

do sangue de um touro

esquartejado pelas ninfas

afeitas às regalias

das fêmeas-objetos.

 

Sagra-se a primavera!

 

Esconda-me

na caverna do deus

Homem-Mulher.

 

Sagre-se Primavera!

1987

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