E N T R E ME N T E S

 

Não tenho nada bonito a dizer,

nem novidades a contar

desta vida de aquém mar.


Os bancos acomodam os velhos na esquina

neste domingo desfolhado ao vento

e as crianças continuam traquinas.


Não quero saber notícias tuas,

das surpresas do velho mundo

nos comboios de além mar.

 

Que fiquem suspensas

as razões pré ditas

de um não envolvimento

nos braços da minha cama.


Não mandarei nenhum verso a ti,

não falarei teu nome

e na tua volta

não buscarei

as lembranças que trarás no relógio.

 

Que fiquem suspensas

as emoções contidas

no total envolvimento

de um ano passado.

 

Não perguntarei aos amigos

o que de ti é feito

no contorno dos dias

e nas grades da memória de uma cidade.


Não me prenderei.

Não quero marcas no meu corpo.

Tenho saudades intensas

 e imensas de oceanos.

Ilusão de distância!

 

Que fiquem suspensas

as falas reunidas

no mar das carícias

de um sonho acabado.

 

Não vou querer saber o que se passa

 atrás dos teus óculos,

e das músicas tocadas atrás dos teus arcos

 não saberei.


Na tua volta não mais me lembrarei

o que se passou,

o que da morte se fez

e do luto se chorou.

                                    26/10/1986



          

                                                                                                                                                                

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