AQUILO


Aquilo que não está

em livro algum escrito

e nenhum mestre pode explicar,

que não está nas palmas das mãos,

tampouco nas cartas ciganas,

nem nos sonhos dos homens,

nem nas palavras dos santos...

 

Aquilo que não posso perguntar

pois resposta alguma há,

que não posso procurar

por que no claro

 e no escuro não está,

nem no sono, nem no transe,

nem na morte, nem na vida...

 

Aquilo que não dá

para tocar

olhar

cheirar

deglutir

que existe por existir,

que vibra por vibrar,

que expande por expandir...

 

Ah! Aquilo que faz a ordem,

desordena nos mistérios,

aglutina numa chama

e une-se a si mesmo

num instante inesperado...

 

Aquilo que não se pensa

e sequer além está

do tempo e do espaço,

junto ao movimento,

nem em outras dimensões...

 

Não está no Céu nem no Inferno,

na congruência dos rios,

nas florestas virgens,

no oceano findo, não está

na virada do século...

                                            (1987 ?)

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