C A N T U A G E M

Nos sulcos calmos do meu coração alcalino

falam as falácias fanáticas das fadas

que fadam e resvalam as marés de Maria.


Acalantos cuidam mansos nos cantos dos mananciais

pajeiam ternuras de Tereza nos ternos de terceiros

esvaziando zangas e esvaindo sambas textuais.


Desse lugar mágico-lógico colho cheiros de coco-Chanel

às margens das marcas morenas de Mariana.

Marimbas ardentes rimam e riem nas ruas serpenteadas.


Amantes perambulam nas bulas e nos êmbolos das cenas perenes

e no ar ardem as ordens e as balas ardidas de Aída.

Temperos de dendê pintam as têmporas dos dadaístas.


Na casuística dos casos casados nas casas dos casais sem asas

Miranda brinca cirandas brandindo mirabolantes bolas com as crianças.

Mal crio o rio na ribanceira e estendo a esteira estriada dos contos

maltrapilhos e malcriados das aventuras farejadas nos cantos de Marcela.


Cantatas cantadas nos tragos da madrugada

madrugam madrigais em drágeas de margaridas.

Nos jardins de Madrid o cristianismo cresce nos istmos

e nos estilos de Cristina triscam e crispam

animismos verdolengos das pátrias de Patrícia.


Parricidas da paz petrecham as pedras

e as trevas pululam purulentas suicidando

pasmas meninas pardas de Bombaim.


Lia embrutece nas bombas e bambaleia em julho,

nove de trinta e dois, perdendo todos os filhos.

1986/87

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