Desconcerto

 

Aproximam-se teus passos leves

da minha porta, encostada

no semibreve dormitar do concerto

 

Espera! Pronta ainda não estou

para assistir a maestria

e o batucar da vida nesse ensaio.

 

O lirismo da sinfônica teima,

queima, se esconde,

como se o tempo fosse só nosso.

 

Nas longas pausas das ausências

o ritmo se encolhe nas partituras

dos meus versos e cala a musa.

 

Mas, espera, inda é cedo para se levantar.

Ouça os aplausos da plateia

para a inacabada música do tempo.

 

Apresses-te no andamento das oferendas

aos múltiplos deuses dos músicos.

Apresses-te a doar teu violino.

 

O tempo já passou (não esperou)

e do ritual do sacrifício sairei.

 

Espera-me recompor o dia

e preparar a ceia aos ancestrais

com as receitas herdadas dos ciganos.

                              25/06/1987 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lua Rouxinol

        1999 Adaptação para teatro do livro “Capitães da Areia” escrito por Jorge Amado (1912 -     ), Editora Record, 64 a edição, Rio de...