OURO PRETO
Repleto de cores preenche-se
o momento,
de espaço e de flores
aguça-se o sonho
e, mais ainda, explode com
os sentidos!
Avulta-se imenso o verbo
escondido
e se espalha o dia no
balanço do verso.
Na roda das férias rompe-se
a rima
e na viagem do amado
apruma-se a noite.
Estradas de não sei caminham
até mim
na dança dos santos pintados
de branco.
É a rosa e o cravo no quadro
do sem fim!
Azuis de memórias no prato
encarnado
colorem cismas de cinzas
revistas
e, mais ainda, convertem os
sabores!
Na pousada da serra dos
amores
o verde se abre além das
montanhas.
A paisagem é metáfora dentro
dos olhos
e as ruas morenas no rococó
das estátuas.
As pedras fincam blocos de
firmes passadas
ao encontro do menino de um
dia outrora.
É a lua na terra do
caminhante. Enfim!
Um avanço na alma desprende
o jardim
e o amarelo é bordado no
templo do negro
e, mais ainda, esgueira-se o
tempo!
Misturam-se as cores na
morada do sol
e o arco íris se instala na
umidade do ar.
É a cidade que acorda às
visitas antigas
e portas que abrem ao futuro
da História.
Os gemidos de liberdade
ainda pairam nas trancas
e nos arcabouços dos poetas
as penas respiram.
É a tinta restaurando os
anjos barrocos.
1986/87
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