Com corte de faca lírica

colho mel na pátria das tâmaras

no ritmo do consolo da morte

e a caixa de música no meu peito

deixa rastros do arco

de um violino calado.

1986/87

 

Resfrio o tempo incorpóreo.

Fatos tranquilizados em estratos

expiam roxos além prantos

nos pratos de estranhas vidas.

 

Destoam as quentes cidades

os espasmos dos dias de agora.

À revelia da minha vontade

espargem o líquido brando.

 

Contos de nossas manhãs

expiram mortes selváticas

nos encontros das almas,

nas palmas de um outro lugar.

 

É de já a revolta tosca

de nós emaranhados na noite.

Esvai-se no colar da sombra

a esperança dos olhos da mãe.

 

Cantigas mentiras de ontem

jazem como cinzas no cinzeiro

e a jovem esquece o chapéu

à saída da casa azul.

                1986/87

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