Hotel Toffolo

                                           (Carlos Drummond de Andrade)


E vieram dizer-nos que não havia jantar.

Como se não houvesse outras fomes

E outros alimentos.


Como se a cidade não nos servisse seu pão

 de nuvens.


Não, hoteleiro, nosso repasto é interior,

E só pretendemos a mesa.


Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras


Tudo se come, tudo se comunica,

Tudo, no coração é ceia.

 

Ao Toffolo

                          (zezé)

 

E não havia mais ontem.

Como se não houvesse outras luas

E outros sonhos.


Como se o céu não nos oferecesse o seu azul

De infinitos 


Não, nossa fome é de magia,

E só pretendemos a vida.

Acolheríamos a morte, se plena de amanhãs.


Tudo se ama, tudo se come, “tudo, no coração, é ceia”.

1988?

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