V E R T I C A L
Minha criação escurece,
pois que receia alforria
na noite de incauta prece.
Desce esférica e triste
no rombo do reconhecer
a volta do andante.
Estrala apedrejada
a estreita hora do viver
a sombra da morte
resfolegada
no andaime vertical do
entardecer.
Do agora se parte sempre
em busca muda de saber
o espreitar inerte
do silêncio.
1986/87
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