Hospício

 

Pessoas que nada têm a perder,

Desencontradas,

Alienadas pelos alienantes do sistema.

Pessoas gritando desesperadas:

- Sou feliz aqui. FELIZ! (?!?!?!?!?!?!?!?!).

Expressões tristes, transfiguradas

 pelo temor, pelo abandono.

Pessoas que gritam, alteradas:

- quero sair daqui. Sou infeliz aqui!

Rostos marcados pelo espanto.

- Por que estou aqui?

Perguntam pessoas, marginalizadas pessoas,

Sofridas pessoas, arrebentadas pessoas.

Há as que não falam mais, não olham,

Não gritam o grito selvagem.

Dopadas, usurpadas da dignidade,

Traídas por todos.

 

HOSPÍCIO

 

Louco, absurdo zoológico humano!

 

HOSPÍCIO

 

Que obriga e desobriga menina

Louca louquinha tão linda

Menina florzinha doente

Com mãozinha quente

Que me pergunta se estou doente.

 

Não sei menina.

 

Só sei que estou do lado de fora

 ou quem sabe você está fora

e todos nós do lado de dentro

de um enorme hospício opressor

que tranca e destrói

meninas florzinhas

e todas as flores

15/12/1982



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lua Rouxinol

        1999 Adaptação para teatro do livro “Capitães da Areia” escrito por Jorge Amado (1912 -     ), Editora Record, 64 a edição, Rio de...